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Perfil epidemiológico das internações por bronquiolite aguda e bronquite aguda em crianças no estado de São Paulo (2020-2025)

INTRODUÇÃO: As doenças respiratórias das vias aéreas inferiores em crianças constituem um relevante problema de saúde pública devido à elevada morbimortalidade e ao impacto na demanda assistencial. Entre essas condições destacam-se a bronquiolite geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e a bronquite que pode ser aguda ou crônica. A bronquiolite aguda caracteriza-se pela inflamação dos bronquíolos e ocorre com maior frequência em lactentes frequentemente evoluindo de um quadro de resfriado para tosse intensa, sibilos e dificuldade respiratória podendo levar à insuficiência respiratória. A bronquite aguda decorre de infecções virais das vias aéreas superiores apresentando tosse persistente inicialmente seca e posteriormente produtiva, acompanhada de febre leve e chiado. Fatores como prematuridade, ausência de aleitamento materno, tabagismo passivo e vulnerabilidade socioeconômica agravam o quadro clínico. Recentemente a OMS recomendou estratégias de imunização contra o VSR, o Brasil acompanhou este avanço com a introdução da vacina para gestantes e do anticorpo monoclonal para recém-nascidos e crianças de até 2 anos no SUS. OBJETIVOS: Identificar o perfil epidemiológico de internações por bronquiolite aguda e bronquite aguda em crianças no estado de São Paulo entre 2020 e 2025 analisando distribuição temporal, sexo, raça/cor e faixa etária. MÉTODOS: Estudo quantitativo e epidemiológico descritivo realizado com dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram incluídos registros de internações codificadas como bronquite aguda (CID-10 J20) e bronquiolite aguda (CID-10 J21) em crianças de 1 a 14 anos no período de 2020 a 2025. A análise consistiu no cálculo de frequências absolutas e relativas considerando variáveis tempo, lugar e pessoa contextualizando os resultados à luz das medidas de controle adotadas durante e após a pandemia da COVID-19. Embora considera-se como criança o indivíduo até os 12 anos incompletos, os dados coletados foram retirados do datasus, em que as opções de escolha de faixa etária não permitem a seleção até os 12 anos (e sim nos intervalos de 1 a 4 anos, de 5 a 9 anos e de 10 a 14 anos), contudo, há uma diminuição na incidência com o avanço da idade não interferindo significativamente nos resultados, pois com o crescimento do indivíduo há um maior desenvolvimento do sistema imunológico pela exposição prévia a vírus respiratórios comuns, além da maior eficiência do mecanismo mucociliar. RESULTADOS: Registraram-se 32.908 internações no estado sendo 11.919 no município de São Paulo. O ano de 2023 apresentou o maior número de internações (7.330) seguido de 2024 (6.704) enquanto 2020 apresentou queda expressiva (2.502) associada ao isolamento social e uso de máscaras. Houve predominância do sexo masculino (53%). A raça/cor mais frequente foi branca (48%) seguida da parda (39%). A faixa etária de 1 a 4 anos concentrou aprox 79% das internações evidenciando vulnerabilidade imunológica. CONCLUSÃO: Conclui-se que bronquiolite e bronquite constituem importantes causas de internação pediátrica em São Paulo com maior impacto em crianças pequenas do sexo masculino e pertencentes às raças branca e parda. O aumento gradual das internações após 2021 reflete o retorno da circulação viral pós-relaxamento das medidas sanitárias. O estudo reforça a necessidade de vigilância epidemiológica contínua estratégias preventivas e ampliação da imunização para redução da incidência e gravidade dessas doenças.
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Perfil epidemiológico das internações por bronquiolite aguda e bronquite aguda em crianças no estado de São Paulo (2020-2025)

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.8208222612015

  • Palavras-chave: Bronquite aguda, Bronquiolite aguda, Internação, Criança, Epidemiologia, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Sistema Único de Saúde, Hospitalização, Estudos Epidemiológicos, Crianças

  • Keywords: Acute bronchitis, Acute bronchiolitis, Hospitalization, Children, Epidemiology, Respiratory Syncytial Virus (RSV), Unified Health System (SUS), Hospitalization, Epidemiologic studies, children

  • Abstract: Introduction: Lower respiratory tract diseases in children represent a significant public health problem due to their high morbidity and mortality and their impact on healthcare demand. Among these conditions, acute bronchiolitis—most commonly caused by the Respiratory Syncytial Virus (RSV)—and acute bronchitis are prominent. Acute bronchiolitis is characterized by inflammation of the bronchioles and occurs more frequently in infants, often progressing from mild cold symptoms to severe cough, wheezing, and respiratory distress, which may lead to respiratory failure. Acute bronchitis usually results from viral infections of the upper airways and presents with persistent cough, initially dry and later productive, accompanied by mild fever and wheezing. Risk factors such as prematurity, absence of breastfeeding, passive smoking, and socioeconomic vulnerability may worsen clinical outcomes. Recently, the World Health Organization has recommended immunization strategies against RSV, and Brazil has adopted these measures by introducing vaccination for pregnant women and monoclonal antibody prophylaxis for newborns and children up to two years of age within the Unified Health System. Objective: To identify the epidemiological profile of hospitalizations due to acute bronchiolitis and acute bronchitis in children in the state of São Paulo, Brazil, from 2020 to 2025, according to temporal distribution, sex, race/color, and age group. Methods: This quantitative, descriptive epidemiological study was conducted using secondary data from the Hospital Information System of the Brazilian Unified Health System (SIH/SUS). Hospitalizations coded as acute bronchitis (ICD-10 J20) and acute bronchiolitis (ICD-10 J21) among children aged 1 to 14 years between 2020 and 2025 were included. Absolute and relative frequencies were calculated considering time, place, and person variables, and the results were contextualized in light of control measures adopted during and after the COVID-19 pandemic. Although childhood is defined as individuals under 12 years of age, the age group categorization available in the database did not allow this exact cutoff. This limitation did not significantly affect the results, as hospitalization incidence decreased with increasing age due to immune system maturation and improved mucociliary clearance. Results: A total of 32,908 hospitalizations were recorded in the state, with 11,919 occurring in the municipality of São Paulo. The highest number of hospitalizations was observed in 2023 (7,330), followed by 2024 (6,704), while 2020 showed a marked reduction (2,502), likely associated with social distancing and mask use. Hospitalizations were more frequent among males (53%). The most commonly reported race/color was White (48%), followed by Brown (39%). Children aged 1 to 4 years accounted for approximately 79% of hospitalizations, indicating greater immunological vulnerability. Conclusion: Acute bronchiolitis and acute bronchitis remain important causes of pediatric hospitalizations in the state of São Paulo, particularly among young male children and those identified as White or Brown. The gradual increase in hospitalizations after 2021 reflects the resumption of viral circulation following the relaxation of pandemic-related control measures. These findings highlight the importance of continuous epidemiological surveillance, preventive strategies, and the expansion of immunization policies to reduce the incidence and severity of these diseases.

  • Eduarda Mayumi Fugisawa de Mello
  • João Lourenço Geacomini de Vasconcelos Neto
  • Lívia Mei de Carvalho
  • Leonardo Lins Cancian Hernandes
  • Julia de Oliveira Brito
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