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Violência como fenômeno sistêmico: fundamentos teóricos para estratégias integradas de enfrentamento em sistemas sociais complexos

A violência é um fenômeno persistente e adaptativo, cuja complexidade desafia as abordagens analíticas fragmentadas e as respostas institucionais baseadas em relações lineares de causa e efeito. Este ensaio teórico tem como objetivo analisar o enfrentamento da violência a partir de um olhar sistêmico, o que desloca o foco dos eventos isolados para a identificação de processos decisórios e elementos estruturantes comuns a diferentes contextos sociais. A análise apoia-se nos Sistemas Adaptativos Complexos, no pensamento complexo e na Psicologia Cultural para compreender a violência como fenômeno multideterminado e emergente. Argumenta-se que a violência pode ser entendida como expressão decisória assimétrica, à revelia de normas e com potencial de produção de dano, cujos padrões se estabilizam por meio de processos de retroalimentação em qualquer contexto. Ao evidenciarmos os limites de intervenções centradas no controle de comportamentos finais, propomos uma inflexão analítica que pressupõe a violência como fenômeno emergente a partir de decisões assimétricas que são tomadas em sistemas sociais complexos, o que oferece uma base teórica integrada para estratégias de enfrentamento adaptativas, descentralizadas e sustentáveis.
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Violência como fenômeno sistêmico: fundamentos teóricos para estratégias integradas de enfrentamento em sistemas sociais complexos

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.939112621018

  • Palavras-chave: violência, sistemas adaptativos complexos, tomada de decisão, emergência da violência, governança policêntrica

  • Keywords: violence, complex adaptive systems, decision-making, violence emergence, polycentric governance

  • Abstract: Violence remains one of the most persistent and adaptive phenomena in social life, yet it continues to be predominantly addressed through fragmented analytical frameworks and institutional responses grounded in linear cause-and-effect assumptions. This theoretical essay advances a systemic approach to violence by shifting the analytical focus from isolated events to the decision-making processes and structural conditions that recurrently shape its manifestations across social contexts. Drawing on Complex Adaptive Systems, complexity thinking, and Cultural Psychology, we conceptualize violence as a multidetermined and emergent phenomenon. We propose that violence can be understood as an asymmetrical decision-making expression, enacted in disregard of norms and with the potential to produce harm, whose patterns stabilize through recursive feedback dynamics within complex social systems. This formulation integrates individual, relational, and institutional levels of analysis while preserving the role of agency without resorting to deterministic explanations. By exposing the limitations of interventions centered on the control of observable behaviors, the article introduces an analytical inflection that reframes violence as an emergent outcome of asymmetrical decisions embedded in interconnected systems. This perspective offers a theoretically grounded basis for adaptive, decentralized, and system-oriented strategies, capable of operating under conditions of uncertainty and continuous transformation.

  • Sergio Fernandes Senna Pires
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