REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: UMA PERSPECTIVA DE PROFISSIONAIS DO NÍVEL MÉDIO QUE ATUAM NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA
RESUMO: Introdução: a violência obstétrica constitui um relevante problema de saúde
pública, uma vez que compromete a dignidade, a autonomia e a integridade das
mulheres em diferentes etapas do ciclo gravídico-puerperal. Esse fenômeno também
se relaciona às condutas adotadas na prática assistencial, evidenciando fragilidades
no cuidado ofertado ao binômio mãe-bebê e reforçando a necessidade de maior
compreensão acerca dessa problemática. Objetivo: compreender as representações
sociais da violência obstétrica entre profissionais de nível médio atuantes na Estratégia
Saúde da Família. Método: trata-se de um estudo analítico, de abordagem qualitativa,
fundamentado na Teoria das Representações Sociais e vinculado a um projeto guardachuva.
A coleta de dados foi realizada por conveniência em 10 unidades da Atenção
Primária à Saúde do município de Campina Grande, Paraíba, Brasil, com amostragem
intencional não probabilística. Participaram profissionais de nível médio, sendo
utilizados dois instrumentos para a coleta de dados: um formulário para caracterização
sociodemográfica da amostra e entrevistas semiestruturadas. Todas as etapas ocorreram
em ambiente privativo, com gravação e posterior transcrição dos relatos. Para a
análise dos dados, utilizou-se o software IRAMUTEQ®, por meio da técnica de “Nuvem
de Palavras”, que possibilita identificar a frequência e a relevância dos termos mais
evocados pelos participantes. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa,
sob parecer nº 7.949.477. Resultados: a amostra foi composta por 47 profissionais, dos
quais n=20 (42,55%) eram Agentes Comunitários de Saúde, n=20 (42,55%) técnicos de
enfermagem e n=7 (14,89%) técnicos/auxiliares em saúde bucal. Houve predominância
do sexo feminino, correspondendo a 91,49% (n=43) da amostra. A análise evidenciou
que os termos “paciente”, “mulher”, “violência”, “profissional”, “parto”, “mãe”, “médico”,
“momento” e “bebê” ocuparam posição central nas representações sociais da violência
obstétrica entre os participantes. Além disso, observou-se associação entre a violência
obstétrica, as práticas assistenciais em saúde, o contexto institucional e os impactos
decorrentes dessa prática. Considerações finais: embora haja reconhecimento da
importância do cuidado humanizado, persistem fragilidades na assistência prestada às
mulheres no contexto obstétrico. Nesse sentido, destaca-se a relevância da Estratégia
Saúde da Família na prevenção da violência obstétrica, por meio do fortalecimento
do vínculo, da educação em saúde e da oferta de cuidado integral.
REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: UMA PERSPECTIVA DE PROFISSIONAIS DO NÍVEL MÉDIO QUE ATUAM NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA
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DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.021132616044
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Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Representação social; Violência obstétrica; Pesquisa qualitativa.
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Keywords: Primary Health Care; Social Representation; Obstetric Violence; Qualitative Research.
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Abstract: Introduction: obstetric violence constitutes a public health problem because it causes impacts that violate the dignity, autonomy, and integrity of women at any stage of their gestational process. This phenomenon can also be related to the conduct taken in clinical practice, revealing gaps in the care provided to the mother-baby dyad and demonstrating the need to understand this phenomenon. Objective: To understand the social representation of obstetric violence among mid-level professionals working in Family Health Teams. Method: This is an analytical study with a qualitative approach, supported by the Theory of Social Representations and derived from an umbrella project. Data collection was carried out by convenience sampling with high school teachers from Primary Care in 10 units in the municipality of Campina Grande-PB. The sampling was intentional, non-probabilistic. Data collection was carried out using two instruments: a form for sample characterization and a semi-structured interview. All stages took place in a private room, and the data were recorded and subsequently transcribed. For data analysis, the qualitative software IRAMUTEQ® was used through the "Word Cloud" analysis, which allows identifying the frequency and relevance of the terms most evoked by the participants. Data collection was submitted to the Research Ethics Committee and only began after favorable opinion number 7,949,477. Results: The sample consisted of 47 professionals, among whom 20 (21.74%) were Community Health Agents, 20 (21.74%) were Nursing Technicians, and 7 (7.61%) were Dental Technicians/Assistants. There was a predominance of females, corresponding to 91.49% (n=43). The analysis revealed that the most prominent words, such as "patient," "woman," "violence," "professional," "childbirth," "mother," "doctor," "moment," and "baby," symbolize the centrality of the social representation of violence for the participantsThe highlighted words also revealed an association between obstetric violence and healthcare practices, the institutional context, and the impacts caused by this practice. Final considerations: despite the emphasis on humanized care, weaknesses persist in healthcare services. The importance of the Family Health Strategy's role in prevention, through relationship building, health education, and comprehensive care, is highlighted.
- Fihama Pires Nascimento
- Ana Luiza Cabral da Cunha de Almeida Chagas
- Nadyely de Melo Apolinário
- Idaiana Calixto da Silva
- Anna Suellen Andrade Costa
- Anderson Luan Silva de Lima
- Lindemberg Arruda Barbosa
- Emanuella de Castro Marcolino
- Renata Clemente dos Santos-Rodrigues