Perfil epidemiológico da coqueluche na população infanto-juvenil brasileira: análise temporal de 2007 a 2024
Introdução: A coqueluche é uma doença infecciosa altamente transmissível, causada pela Bordetella pertussis, que apresenta maior gravidade em lactentes. Embora a vacinação tenha reduzido sua incidência, surtos continuam ocorrendo. Em 2024, foram notificados 7.438 casos no Brasil (3,5/100 mil habitantes), principalmente em menores de um ano e adolescentes, com maior concentração nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Esses dados reforçam a importância de estratégias de vigilância e prevenção. Objetivos: O estudo tem como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos confirmados de coqueluche na população infanto-juvenil brasileira, a partir de uma comparação temporal entre o período pré-pandêmico (2007 a 2019) e o período pós-pandêmico (2020 a 2024). Métodos: Trata-se de um estudo observacional e descritivo desenvolvido a partir de dados retirados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídas informações referentes aos casos confirmados de coqueluche notificados entre os anos de 2007 e 2024 na população de zero a 19 anos de todas as regiões do Brasil, considerando também as variáveis gênero, raça e evolução dos casos para análise comparativa nesta pesquisa. Resultados/ Discussão: Os dados do SINAN mostram queda acentuada nos casos de coqueluche entre 2019 e 2021, seguida de aumento progressivo até um crescimento expressivo em 2024, quando foram notificados 5.420 casos (maioria em crianças de 10 a 14 anos, diferentemente do padrão histórico em menores de um ano). A análise evidenciou maior acometimento em meninas e diferenças raciais e regionais, com predomínio de casos em brancos no Sul e Sudeste e pardos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O declínio inicial entre 2019 e 2021 pode estar associado às medidas de distanciamento da COVID-19, enquanto a retomada das atividades e a queda na cobertura vacinal contribuíram para o aumento recente. A mudança etária sugere perda de imunidade em adolescentes, reforçando a necessidade de reavaliação dos esquemas de reforço vacinal, mas também pode associar-se à queda de cobertura vacinal que vem sendo observada. A ausência de óbitos entre 2021 e 2023 contrasta com anos anteriores e pode refletir tanto menor circulação do patógeno durante a pandemia quanto avanços no manejo clínico. Conclusão: O estudo evidenciou alterações no perfil epidemiológico da coqueluche no Brasil, com queda expressiva durante a pandemia de COVID-19 e aumento acentuado em 2024, especialmente entre crianças de 10 a 14 anos. Esses achados sugerem influência da queda da imunidade vacinal e reforçam a necessidade da revisão das estratégias de vacinação, intensificação da vigilância epidemiológica e implementação de medidas de prevenção voltadas a grupos vulneráveis.
Perfil epidemiológico da coqueluche na população infanto-juvenil brasileira: análise temporal de 2007 a 2024
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DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.84026200525
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Palavras-chave: -
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Keywords: -
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Abstract: -
- Suelen Rodrigues Lopes
- Bianca Campos de Morais
- Ana Carolina Ventura
- Ana Clara Ambrosio Ugri
- Bárbara Miranda Pereira
- Fernanda Pareja dos Santos Balaró
- Giovanna Yumi Tanaka
- Maria Carolina dos Santos