O exercício da empatia em atividade de educação em saúde com crianças: um relato de experiência
Introdução. A formação em saúde demanda, além de domínio técnico, o desenvolvimento de competências relacionais — dentre elas, a empatia¹. Em atividades voltadas à educação em saúde, sobretudo quando direcionadas ao público infantil, a capacidade de se colocar no lugar do outro torna-se essencial para o êxito pedagógico e a construção de vínculos. Nesse contexto, a Liga Acadêmica de Pediatria de uma faculdade do interior paulista em parceria ao programa de extensão “SensibilizArte: Humanizar através da arte”, composto por estudantes de medicina e enfermagem da instituição, desenvolveu uma atividade educativa com crianças em idade escolar sobre a importância da higiene das mãos, dado o impacto de atividades dessa natureza². A ação promoveu o conhecimento técnico e o exercício de empatia por parte dos acadêmicos, tornando-se de relevância descrever esse processo formativo e educativo como objetivo. Relato de Caso (Experiência): A atividade ocorreu em uma organização não governamental de contraturno escolar, envolvendo crianças de 7 a 8 anos, dado a prevalência de síndromes diarreicas³ e infecções respiratórias⁴. Com relação à organização da atividade, priorizou-se a ludicidade e a participação ativa, utilizando cartazes coloridos, ilustrações, práticas de higienização das mãos em grupos e um momento musical. Durante a dinâmica, os acadêmicos dialogaram com as crianças, acolhendo suas experiências relacionadas ao tema.Esse processo evidenciou o exercício da empatia em diferentes dimensões: pela preocupação em adaptar a linguagem e os recursos ao universo infantil, considerando suas formas de aprendizagem e, pela escuta ativa, que permitiu valorizar as percepções das crianças e integrá-las à atividade, tornando o aprendizado significativo. Por fim, com um ambiente afetivo houve o encerramento com a música “Lavar as Mãos”, do grupo Palavra-Cantada⁵, interpretada de maneira conjunta. Esse momento reforçou o conteúdo de forma prazerosa, ao mesmo tempo em que estreitou os laços entre estudantes e crianças. Do ponto de vista formativo, a experiência permitiu que os universitários experimentassem a importância de uma postura inclusiva e empática na educação em saúde. Lidar com a timidez inicial das crianças e sua progressiva participação demonstrou que a empatia é essencial para transmitir conhecimento, mobilizar o interesse e a confiança do público. Na prática, os estudantes incluíram as crianças no processo de aprendizagem, promovendo sua autonomia. Por fim, houve um desfecho positivo relatado pela instituição parceira, que observou mudanças positivas no hábito de lavar as mãos, reforçando a efetividade da ação educativa. Discussão: O relato evidencia que a empatia constitui elemento central em atividades de educação em saúde com crianças, possibilitando uma comunicação eficaz e a construção de vínculos que favorecem a aprendizagem. A vivência corrobora com o estudo de Scarbossa et al.⁶ os quais defendem que a atividade educativa para além da aplicabilidade de conhecimentos técnicos na formação, possibilita o desenvolvimento da comunicação e da empatia, habilidades necessárias a todos os profissionais da saúde. Além disso, possibilita a atenção às necessidades de saúde da comunidade, construção prática profissional. A experiência desenvolvida demonstrou que, ao aliar ludicidade, diálogo e sensibilidade, é possível impactar positivamente o comportamento infantil e formar profissionais de saúde mais humanizados.
O exercício da empatia em atividade de educação em saúde com crianças: um relato de experiência
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DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.84026200527
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Palavras-chave: -
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Keywords: -
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Abstract: -
- Suelen Rodrigues Lopes
- Olga Giovanna Tavares de Moraes Danelon
- Isabelle da Silva Ramos
- Júlia Ferreira Silva
- Kamilly Ruiz Mesquita
- Marina Arita Falha
- Danielle Abdel Massih Pio