MIGS Versus Trabeculectomia No Glaucoma Primário De Ângulo Aberto: Atualização Sobre Eficácia E Segurança - Atena EditoraAtena Editora

Artigo

Baixe agora

Livros

MIGS Versus Trabeculectomia No Glaucoma Primário De Ângulo Aberto: Atualização Sobre Eficácia E Segurança

Introdução: O glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A redução da pressão intraocular (PIO) é a única estratégia capaz de modificar sua evolução. A trabeculectomia consolidou-se como padrão-ouro cirúrgico, garantindo reduções significativas da PIO, porém com maior risco de complicações e necessidade de acompanhamento intensivo. Nos últimos anos, as cirurgias minimamente invasivas para glaucoma (MIGS) surgiram como alternativas menos agressivas, associadas a maior segurança e recuperação mais previsível. Avaliar sua eficácia em relação à trabeculectomia é fundamental para orientar escolhas terapêuticas individualizadas. Objetivo: Comparar a eficácia e a segurança das MIGS em relação à trabeculectomia no manejo do GPAA. Método: Revisão integrativa da literatura nas bases PubMed, Scopus e Cochrane Library (2015–2025). Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, coortes prospectivas e revisões sistemáticas que compararam MIGS (iStent, Hydrus, Kahook Dual Blade, XEN Gel Stent, Preserflo MicroShunt, GATT, MAT e canaloplastia ab-interno/externo) à trabeculectomia em adultos com GPAA. O desfecho primário foi a redução da PIO; secundários incluíram redução do uso de fármacos, segurança e taxas de sucesso cirúrgico. Resultados: Todos os procedimentos promoveram reduções significativas da PIO. A trabeculectomia mostrou superioridade em valores absolutos e taxas sustentadas de sucesso. Em 24 meses, a PIO média foi de 10,7 mmHg após trabeculectomia e 13,9 mmHg após MicroShunt; em 12 meses, 14,8 mmHg versus 16,6 mmHg com XEN. As taxas de sucesso em 2 anos foram de 64,4% (trabeculectomia) e 50,6% (MicroShunt). A hipotonia ocorreu em 51,1% dos casos de trabeculectomia e em 30,9% dos casos com MicroShunt. Complicações visuais graves foram incomuns. As MIGS exigiram menos revisões pós-operatórias, embora frequentemente associadas a hifema transitório. Conclusão: As MIGS representam um avanço importante no manejo do GPAA leve a moderado, ao aliarem eficácia consistente e maior segurança. A trabeculectomia, entretanto, mantém papel insubstituível nos casos avançados, pela sua maior capacidade de redução sustentada da PIO. Deve-se considerar que os resultados das MIGS variam conforme a experiência do cirurgião e a seleção criteriosa dos pacientes, além de ainda faltarem evidências robustas em seguimentos de longo prazo. Quando associadas à cirurgia de catarata, entretanto, as MIGS podem alcançar resultados próximos aos da trabeculectomia, com menor incidência de complicações. A decisão cirúrgica deve ser individualizada, equilibrando inovação e tradição na busca pelos melhores desfechos clínicos.
Ler mais

MIGS Versus Trabeculectomia No Glaucoma Primário De Ângulo Aberto: Atualização Sobre Eficácia E Segurança

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.1101126130115

  • Palavras-chave: Glaucoma; Pressão Intraocular; Trabeculectomia; Procedimentos Cirúrgicos Minimamente Invasivos.

  • Keywords: Glaucoma; Intraocular Pressure; Trabeculectomy; Minimally Invasive Surgical Procedures.

  • Abstract: Introduction: Primary open-angle glaucoma (POAG) is the leading cause of irreversible blindness worldwide. Reduction of intraocular pressure (IOP) is the only strategy capable of modifying its progression. Trabeculectomy has become the surgical gold standard, providing significant IOP reduction, but with a higher risk of complications and the need for intensive follow-up. In recent years, minimally invasive glaucoma surgeries (MIGS) have emerged as less aggressive alternatives, associated with greater safety and more predictable recovery. Evaluating their efficacy compared to trabeculectomy is essential to guide individualized therapeutic choices. Objective: To compare the efficacy and safety of MIGS versus trabeculectomy in the management of POAG. Methods: An integrative literature review was conducted using PubMed, Scopus, and the Cochrane Library (2015–2025). Randomized clinical trials, prospective cohorts, and systematic reviews comparing MIGS (iStent, Hydrus, Kahook Dual Blade, XEN Gel Stent, Preserflo MicroShunt, GATT, MAT, and ab interno/externo canaloplasty) with trabeculectomy in adults with POAG were included. The primary outcome was IOP reduction; secondary outcomes included reduction in medication use, safety, and surgical success rates. Results: All procedures resulted in significant IOP reductions. Trabeculectomy demonstrated superiority in absolute values and sustained success rates. At 24 months, mean IOP was 10.7 mmHg after trabeculectomy and 13.9 mmHg after MicroShunt; at 12 months, 14.8 mmHg versus 16.6 mmHg with XEN. Two-year success rates were 64.4% for trabeculectomy and 50.6% for MicroShunt. Hypotony occurred in 51.1% of trabeculectomy cases and 30.9% of MicroShunt cases. Severe visual complications were uncommon. MIGS required fewer postoperative revisions, although often associated with transient hyphema. Conclusion: MIGS represent an important advancement in the management of mild to moderate POAG, combining consistent efficacy with greater safety. However, trabeculectomy maintains an irreplaceable role in advanced cases due to its greater capacity for sustained IOP reduction. It should be noted that MIGS outcomes vary according to surgeon experience and careful patient selection, and robust long-term evidence is still lacking. When combined with cataract surgery, MIGS may achieve outcomes comparable to trabeculectomy with a lower incidence of complications. Surgical decision-making should be individualized, balancing innovation and tradition to achieve the best clinical outcomes.

  • Giovana Miranda Fernandes
  • Mônica Pinheiro
  • Isadora Brito Coelho
Fale conosco Whatsapp