INTERNAÇÕES POR DENGUE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES SEGUNDO RAÇA/COR NO BRASIL (2020–2024): UMA ANÁLISE DE VULNERABILIDADE E DESIGUALDADE SOCIAL
Introdução: A dengue é uma arbovirose de grande impacto epidemiológico no Brasil, com impacto significativo em morbimortalidade em todas as faixas etárias. Crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis à dengue, não apenas por aspectos fisiológicos, mas também porque dependem de adultos para cuidados, prevenção e acesso rápido a tratamentos. A análise da distribuição de internações segundo raça/cor permite compreender como as desigualdades sociais influenciam o risco e a gravidade da doença. Objetivos: Avaliar a distribuição das internações por dengue em crianças e adolescentes entre 2020 e 2024, segundo raça/cor e faixa etária, identificando os grupos mais acometidos e discutindo possíveis fatores sociais e estruturais que explicam as vulnerabilidades observadas. Método: Estudo descritivo baseado em dados do DATASUS referentes às internações por dengue (CID-10: A90) em indivíduos de 0 a 19 anos, entre 2020 e 2024. As variáveis analisadas foram raça/cor (branca, preta, parda, amarela e indígena) e faixa etária (menor de 1 ano, 1 a 4 anos, 5 a 9 anos, 10 a 14 anos e 15 a 19 anos). Resultados: No período analisado, foram registradas 75.903 internações por dengue em crianças e adolescentes. A maioria ocorreu em indivíduos pardos (47.822; 62,9%), seguidos de brancos (24.876; 32,7%), pretos (1.793; 2,4%), amarelos (1.153; 1,5%) e indígenas (259; 0,3%). Em relação à idade, os grupos maisacometidos foram 10 a 14 anos (21.641 internações; 28,5%) e 5 a 9 anos (20.517; 27%), seguidos por 15 a 19 anos (16.869; 22,2%). As menores frequências ocorreram em crianças menores de 1 ano (5.502; 7,2%). Discussão: A análise revela que a maior concentração de internações ocorreu em crianças de 5 a 14 anos, faixa etária escolar, o que pode estar relacionado ao maior contato comunitário, aumento da mobilidade e maior exposição a criadouros do mosquito Aedes aegypti em ambientes urbanos. Quanto à raça/cor, embora indivíduos pardos correspondam a 45,3% da população brasileira (Censo 2022), eles representaram quase dois terços das internações, refletindo as consequências das desigualdades sociais estruturais. Populações pardas e pretas, em sua maioria, vivem em áreas de maior vulnerabilidade social, com saneamento básico precário, maior densidade habitacional e dificuldade de acesso a serviços de saúde, fatores que favorecem tanto a transmissão quanto a evolução para formas graves da doença. A baixa representatividade numérica de indígenas e amarelos deve ser interpretada com cautela, pois pode refletir subnotificação ou barreiras de acesso ao sistema de saúde. Conclusão: As internações por dengue em crianças e adolescentes no Brasil concentram-se principalmente em indivíduos pardos e na faixa etária de 5 a 14 anos. Esses achados reforçam a influência de determinantes sociais da saúde na dinâmica da doença, evidenciando que a cor/raça está associada a condições de maior vulnerabilidade social e ambiental. O enfrentamento da dengue deve considerar não apenas estratégias biomédicas, mas também políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades de sociais.
INTERNAÇÕES POR DENGUE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES SEGUNDO RAÇA/COR NO BRASIL (2020–2024): UMA ANÁLISE DE VULNERABILIDADE E DESIGUALDADE SOCIAL
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DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.84026200515
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Palavras-chave: Dengue; Criança; Adolescente; Raça/cor; Desigualdades em saúde; Vulnerabilidade social; Internações hospitalares.
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Keywords: -
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Abstract: -
- Suelen Rodrigues Lopes
- Agnus Maximiano Abreu Ribeiro da Silva
- Amanda Camila Val de Melo
- Joana Darc Freitas Alves