Ebook - O método científico na sala de aula escolarAtena Editora

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1. Método científico. 2. Ensino. 3. Educação. I. Ramos, Márcio Viana (Organizado...

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capa do ebook O método científico na sala de aula escolar

O método científico na sala de aula escolar

O ensino escolar sempre foi desafiador. A missão da escola se confunde em ensinar o conhecimento e educar o ser humano. São duas vertentes com interseção, mas também com suas próprias características únicas. Enquanto transmite o conhecimento, o professor se vê na condição de educador. Entretanto, educar se relaciona a transmitir valores, princípios, tradições e tudo isso deve ser liderado pela família. O professor fomenta o conhecimento da matemática, da história, geografia e tudo mais que conduzirá o indivíduo a se inserir no mundo profissional que a sociedade exigirá do cidadão, em sua vida adulta. Por isso, a família necessita da escola, tanto quanto a escola necessita da família. Transmitir conhecimentos ou valores não é uma tarefa pragmática. Transmitir os dois, então, não é diferente. Ocorre que enquanto viver, um ser humano aprenderá, resultado de cada experiência vivida a cada situação que se apresenta. O aprendizado é um processo contínuo e virtualmente infinito. Este aprendizado é fundamentalmente guiado por exposição e repetição das experiências e por condicionamento, que também representa repetição. Há pouco raciocínio envolvido nas experiências e no condicionamento e muita dedução em ambos. Entretanto, estes processos naturais se desenvolvem ao acaso, sem estratégias, regras, propósitos de aprendizagem ou qualquer outro balizamento ordenado. Apenas a fluidez do tempo. O resultado deste processo é conhecido a partir de pessoas que jamais frequentaram um sistema educacional. Por outro lado, o sistema educacional representa um percurso organizado (ainda que dinâmico) de aprendizado, no qual as experiências são vivenciadas com previsão, propósito, e o conhecimento é repassado de forma ordenada, gradual e condizente com a idade/maturidade humana. A harmonia deste processo está a cargo dos professores, os agentes que, como mediadores, introduzem uma ferramenta diferencial para o sucesso deste processo de aprendizado. Chama-se didática. Didática que é algo único, pessoal, intransferível e que nos dias de hoje é pressionada pelas tecnologias assistivas, pelo conceito de protagonismo estudantil e finalmente pela inteligência artificial. Esta última, transpassando o âmbito do professor, aluno ou família. A didática, na prática não apenas conduz a apresentação do novo, para o aluno, mas é também a ferramenta única para promover a migração da experiência do novo para o exercício do raciocínio. O raciocínio é, por sua vez, imprescindível para que o aprendiz possa chegar a um senso crítico útil, ou seja, ao discernimento e a coerência. Na verdade, o sucesso intelectual de uma pessoa pode ser medido por sua habilidade de agir com discernimento e coerência, algo que o sistema educacional tem dificuldades de mensurar, enquanto que a sociedade conhece muito bem a ausência destas habilidades desde um pequeno furto, na rua, até um projeto de lei desprovido de razão social. Não é possível, à luz do que conhecemos hoje, formar cidadãos com elevado senso crítico se estes não forem, desde cedo, conduzidos a uma estratégia de aprendizado, que os imerja no raciocínio, de modo que todas as inquietudes e questionamentos da vida moderna, em especial a estudantil, sejam pautadas em discussões construtivas.
Observa-se no decorrer dos anos escolares, dos estudantes brasileiros que toda a curiosidade inerente a infância, a capacidade e interesse em questionar, vai gradualmente desaparecendo do comportamento do jovem de modo que o seu maior questionamento é entender qual o significado que justifica estar na escola, naquele processo repetitivo ano após ano, monótono, enquanto a vida fora da sala de aula se transforma fortemente a cada dia. Lhes parece que a escola é uma cápsula do tempo enterrada, onde nada acontece e tudo estagna.

No árduo ensino de ciências e matemática, a permanência do modelo atual fomenta o descrédito, a evasão e a migração de jovens para o aprendizado da vida e não da escola. Por isto, o tema central deste livro é dedicado a aproximar o professor escolar, em especial aqueles que ensinam ciências, física, matemática, biologia e química do método científico, como uma estratégia de diálogo mais profícuo com os pré-adolescentes e jovens, nas salas de aula. O ensino direcionado por preceitos do método científico, embasado em bons problemas e realidade, pode ser uma ferramenta positiva para acessar o raciocínio estudantil. É uma ferramenta que pode trazer o aluno para a protagonismo de ideias, de expressão e trocas mais ativas entre estes e seus professores. Entretanto, esta proposta só alcançará bons frutos se o professor ainda estiver ciente que é ele o agente insubstituível do processo de ensino e mediador do aprendizado útil, no ambiente escolar.

Márcio Viana Ramos
Editor

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