Ebook - ARTE, CORPO E TECNOLOGIA DIGITAL INTERATIVA: FORMAS EXPANDIDAS DE SER E SENTIR NA OBRA DE DIANA DOMINGUESAtena Editora

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1. Arte. I. Borges, Edson Rodrigo. II. Título.

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capa do ebook ARTE, CORPO E TECNOLOGIA DIGITAL INTERATIVA: FORMAS EXPANDIDAS DE SER E SENTIR NA OBRA DE DIANA DOMINGUES

ARTE, CORPO E TECNOLOGIA DIGITAL INTERATIVA: FORMAS EXPANDIDAS DE SER E SENTIR NA OBRA DE DIANA DOMINGUES

Publicado em 05 de abril de 2024.

O mundo se amplifica em corpos, palavras e tecnologias a partir da obra de Edson Rodrigo Borges. Artista sensível às formas em profusão geométrica que buscam o infinito e revelam o silêncio do espaço, professor que provocou as estruturas do ensino de Artes no estado de Goiás com projeção nacional e pesquisador preocupado com o patrimônio físico e simbólico, a essas facetas soma-se o livro Arte, corpo e tecnologia digital: formas expandidas de ser e sentir na obra de Diana Domingues.

O texto ganha formato editorial em momento após a profunda vivência coletiva da pandemia da Covid-19. Além das dores, mortes e angústias marcantes da ocasião, o corpo em confinamento e com as tecnologias à disposição se colocou em ação nas diversas relações com o outro (trabalho, afetos, celebrações etc.). Nossa circulação no cyberespaço se tornou necessária à nossa expressão. Nosso corpo habitava imagens ao vivo e gravadas, dessa maneira ele se tornava um signo em trânsito pelas tecnologias digitais de comunicação. Existíamos em enquadramentos sem fim, como as gravuras de Borges, em um texto de Borges, o escritor argentino de Ficções, em um contexto histórico que nos colou dentro da boca de Pantagruel, em lembrança de Rabelais e Auerbach.

Essa constatação evoca a seguinte passagem constante neste livro: “o corpo sofre mudanças proporcionadas pelas tecnologias digitais que o coloca em contato com o mundo, ampliando seu poder de cognição, de fruição, de vivência”. As múltiplas plataformas de performances no digital colocaram o corpo em novas instâncias de produção e apreciação que impactaram desde o formato de captação da imagem no cotidiano, com a proeminência do formato retrato em razão da ergonometria dos celulares, às artes contemporâneas com a extensão de criações plenas das tecnologias digitais, como a realidade virtual e o metaverso.

Compreendemos com Borges e sua ampliação da teoria de Merleau-Ponty que máquina e corpo nos posicionam em um movimento novo de existência fenomenológica em que metáforas são criadas e acrescentadas por meio do contato às vezes tenso entre biológico e tecnológico. Ao veículo físico somam-se os pixels, os bytes, os pulsos de luz, os números binários, as redes. Somos um corpo a cruzar vários espaços/tempos por meio da difusão, propagação e reprodutibilidade (em viés benjaminiano) que conectam arte/vida e passado/presente/futuro com seus significados sempre em transformação e ressonância do eu nos outros.

Nesse contexto fluido, a ciberarte da artista tecnológica Diana Domingues se torna o centro catalizador que investiga a relação entre arte, corpo e máquina. No recorte da produção de Domingues feito por Borges, temos uma produção que envolve visões xamânicas cibernéticas em interação com mundos sensórios e suas imagens por meio de corpos físicos convergentes no espaço preparado para a performance (caso de Trans-e: my body, my blood, 1997), uma encarnação in corpore de cobra-robô em serpentário e sua apreciação direcionada por humanos difundido na grande rede INSN(H)AK(R)ES (2000) – e uma visão interior do batimento cardíaco no visceral OUR HEART (1997).

A tríade desloca os corpos e suas sensações por meio das tecnologias plasmadas pela arte. As fronteiras entre dentro e o fora são suspendidas para nos conectar como seres orgânicos que partilham o mundo físico e virtual. Transitamos por experiências em que o público é parte fundamental da arte e esta só se revela pelo encontro com o aquele. Estamos conectados e imersos nas energias que se interpenetram e ecoam nos encontros e desencontros dos seres. Cyberflanamos, cybersentimos e cyberexistimos como no instante único e irrepetível do ser-arte.

As teclas de Borges mediam ideias que questionam o mundo corpóreo tão misterioso às ciências biológicas e tão desnudado às ciências da arte. Imanência e materialidade são colocadas em pauta para uma reflexão que faz parte do contemporâneo e suas telas e frequências que pululam nos universos compartilhados que nos colocam em dimensões jamais habitadas e em expansão. Nesse cenário que nos recorda Nu Descendo uma Escada (N. 2), de Duchamp, deixamos nossos rastros no espaço corporificados em virtualidades e automações perceptíveis no tempo do acontecimento ou acontecidas em tempos outros. Assim, o livro que agora se abre ao leitor é uma corporificação que nos possibilita subir um lance a mais da escada das pesquisas sobre a arte e sua imersão mediada pelas tecnologias do nosso tempo que, em algum momento, se tornarão obras de um tempo.


Lemuel Gandara
Artista plástico e professor (Brasília, março de 2024)

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ARTE, CORPO E TECNOLOGIA DIGITAL INTERATIVA: FORMAS EXPANDIDAS DE SER E SENTIR NA OBRA DE DIANA DOMINGUES

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.683242803

  • ISBN: 978-65-258-2368-3

  • Palavras-chave: 1. Arte. I. Borges, Edson Rodrigo. II. Título.

  • Ano: 2024

  • Número de páginas: 139

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