VÍTIMAS INVISÍVEIS A EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À VIOLÊNCIA DE GÊNERO: O POTENCIAL DO MAPA NACIONAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO PARA POLÍTICAS DE ACOLHIMENTO E PREVENÇÃO - Atena EditoraAtena Editora

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VÍTIMAS INVISÍVEIS A EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À VIOLÊNCIA DE GÊNERO: O POTENCIAL DO MAPA NACIONAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO PARA POLÍTICAS DE ACOLHIMENTO E PREVENÇÃO

A violência doméstica e familiar contra a mulher produz danos físicos e psicológicos amplamente reconhecidos sobre suas vítimas diretas, mas um efeito menos visibilizado atinge crianças e adolescentes que testemunham essas agressões dentro do próprio lar. Este artigo discute o impacto psicológico, neurobiológico e social da exposição infantil à violência de gênero, a partir da análise dos dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero e da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, ambos conduzidos pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal. A edição mais recente da pesquisa (2025) revela que 71% das mulheres agredidas nos últimos doze meses o foram na presença de outras pessoas e que, entre essas situações testemunhadas, aproximadamente 70% envolviam ao menos uma criança — em geral, filha ou filho da própria vítima. Com base em literatura das neurociências do desenvolvimento, da psicologia do apego, da criminologia e da teoria da aprendizagem social, argumenta-se que testemunhar a violência sofrida pela mãe, ou por mulher próxima, compromete a formação do córtex pré-frontal, favorece a normalização da agressão e contribui para a transmissão intergeracional da violência, configurando-se também como fator de risco para a prática de infrações na adolescência. Conclui-se pela necessidade de políticas públicas de acolhimento direcionadas às vítimas indiretas da violência de gênero, utilizando os dados oficiais já disponíveis como base territorial para a focalização dessas ações.
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VÍTIMAS INVISÍVEIS A EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À VIOLÊNCIA DE GÊNERO: O POTENCIAL DO MAPA NACIONAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO PARA POLÍTICAS DE ACOLHIMENTO E PREVENÇÃO

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.8178262619065

  • Palavras-chave: Violência de gênero; Vítimas indiretas; Neurodesenvolvimento infantil; Transmissão intergeracional da violência; Mapa Nacional da Violência de Gênero

  • Keywords: Gender-based violence. Indirect victims. Child neurodevelopment. Intergenerational transmission of violence. Protective public policy

  • Abstract: Domestic and family violence against women produces well-documented harm to its direct victims, but a less visible effect reaches children and adolescents who witness these assaults at home. This paper discusses the psychological, neurobiological, and social impact of children's exposure to gender-based violence, drawing on data from the Mapa Nacional da Violência de Gênero (National Map of Gender Violence) and the Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (National Survey on Violence against Women), both conducted by DataSenado in partnership with the Brazilian Senate's Observatório da Mulher contra a Violência. The most recent edition of the survey (2025) shows that 71% of women assaulted in the previous twelve months were attacked in the presence of others, and that approximately 70% of those witnessed situations involved at least one child — usually the victim's own son or daughter. Drawing on developmental neuroscience, attachment theory, criminology, and social learning theory, the article argues that witnessing violence against one's mother, or a close female relative, compromises prefrontal cortex development, fosters the normalization of aggression, and contributes to the intergenerational transmission of violence, also constituting a risk factor for adolescent offending. It concludes that targeted social protection policies for indirect victims of gender-based violence are needed, using already available official data as a territorial basis for focusing these actions.

  • Flávio J. Ferreira Jr.
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