Reconfigurar a Competência Clínica: O Papel Estruturante das Competências Não Técnicas na Formação em Enfermagem - Atena EditoraAtena Editora

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Reconfigurar a Competência Clínica: O Papel Estruturante das Competências Não Técnicas na Formação em Enfermagem

As competências não técnicas (CNT) assumem um papel estruturante na qualidade e segurança dos cuidados de enfermagem, integrando dimensões como comunicação, trabalho em equipa, consciência situacional, tomada de decisão e liderança. A evidência científica demonstra que falhas nestas competências estão frequentemente associadas a eventos adversos, superando, em muitos casos, os erros puramente técnicos. Apesar da robustez conceptual e do consenso internacional quanto à sua relevância, a integração das CNT na formação inicial em enfermagem permanece frequentemente implícita, fragmentada e dependente da iniciativa individual dos docentes. A literatura revela convergência na definição dos domínios nucleares das CNT, mas evidencia fragilidade na sua operacionalização curricular, particularmente ao nível da integração longitudinal e da avaliação estruturada. A simulação clínica surge como estratégia pedagógica privilegiada para o seu desenvolvimento, complementada por metodologias experiencialistas como pacientes virtuais, debriefing estruturado e aprendizagem colaborativa. Contudo, a eficácia destas abordagens depende da sua articulação coerente e sustentada ao longo do percurso formativo. A avaliação constitui o ponto mais vulnerável da integração das CNT, marcada pela ausência de instrumentos especificamente validados para estudantes de enfermagem e pela predominância da autoavaliação, comprometendo objetividade e monitorização longitudinal. Acrescem barreiras curriculares, institucionais e culturais que perpetuam a centralidade das competências técnicas em detrimento das competências relacionais e decisórias. Face à evidência disponível, defende-se a necessidade de uma reconfiguração paradigmática da arquitetura curricular, assente numa integração explícita, longitudinal e avaliável das CNT, apoiada em mapeamento curricular formal, avaliação multimodal e formação pedagógica docente. Esta transição constitui não apenas um imperativo pedagógico, mas também uma responsabilidade ética, dado o impacto direto das CNT na segurança do doente. Integrar estas competências no currículo não representa um acréscimo humanístico, mas o fortalecimento da própria dimensão clínica da prática de enfermagem.
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Reconfigurar a Competência Clínica: O Papel Estruturante das Competências Não Técnicas na Formação em Enfermagem

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.82082426100215

  • Palavras-chave: Competências não Técnicas; Educação em Enfermagem; Segurança do Paciente; Simulação clínica.

  • Keywords: Non-Technical Skills; Education, Nursing; Patient Safety; Simulation Training.

  • Abstract: Non-technical skills (NTS) play a structural role in the quality and safety of nursing care, encompassing dimensions such as communication, teamwork, situational awareness, decision-making, and leadership. Scientific evidence demonstrates that failures in these competencies are frequently associated with adverse events, often surpassing purely technical errors. Despite strong conceptual robustness and international consensus regarding their relevance, the integration of NTS into undergraduate nursing education remains frequently implicit, fragmented, and dependent on individual faculty initiative. The literature reveals convergence in defining the core domains of NTS but highlights weaknesses in their curricular operationalization, particularly regarding longitudinal integration and structured assessment. Clinical simulation emerges as a privileged pedagogical strategy for their development, complemented by experiential methodologies such as virtual patients, structured debriefing, and collaborative learning. However, the effectiveness of these approaches depends on their coherent and sustained articulation throughout the educational trajectory. Assessment represents the most vulnerable aspect of NTS integration, marked by the absence of instruments specifically validated for nursing students and by the predominance of self-assessment, which compromises objectivity and longitudinal monitoring. Additional curricular, institutional, and cultural barriers perpetuate the centrality of technical competencies at the expense of relational and decisional skills. In light of the available evidence, a paradigmatic reconfiguration of curricular architecture is required, grounded in the explicit, longitudinal, and assessable integration of NTS, supported by formal curriculum mapping, multimodal assessment, and faculty pedagogical development. This transition constitutes not only a pedagogical imperative but also an ethical responsibility, given the direct impact of NTS on patient safety. Integrating these competencies into the curriculum does not represent a humanistic add-on; rather, it strengthens the clinical dimension of nursing practice itself.

  • Cláudia Jorge de Sousa Oliveira
  • Tânia Filipa Cabrita Xavier
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