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Joana em fluxo: a natureza líquida da subjetividade feminina em Perto do Coração Selvagem (1943), de Clarice Lispector

Este artigo tem como objetivo analisar o modo como a personagem principal (Joana) do romance de estreia de Clarice Lispector, Perto do coração selvagem (1943), se aproxima do elemento água durante a narrativa. Essa aproximação compreende não somente os devaneios provocados pelo contato da protagonista com a materialidade da água, mas sua natureza líquida e fluída enquanto uma mulher que rompe com a aparente solidez e estaticidade das normas sociais patriarcalistas da época. Para tanto, o trabalho se serviu de embasamentos voltados à questão feminina - Gerda Lerner (2019), Simone de Beauvoir (1970), Pierre Bourdieu (2012) - e das contribuições de Gaston Bachelard (2013), no que diz respeito à natureza das águas na literatura. Combinar o aporte teórico aos trechos da obra parece confirmar a possibilidade de leitura que defende a transitoriedade e a fluidez de Joana em consonância com a água, seja em forma de chuva, rio, banho ou mar.
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Joana em fluxo: a natureza líquida da subjetividade feminina em Perto do Coração Selvagem (1943), de Clarice Lispector

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.816X1126020110

  • Palavras-chave: água; feminino; liquidez; fluidez.

  • Keywords: water; feminine; liquidity; fluidity.

  • Abstract: This article aims to analyze the ways in which the main character (Joana) of  "Perto do coração selvagem" (1943), the debut novel by Clarice Lispector, approaches the element of water throughout the narrative. This approach encompasses not only the reveries provoked by the protagonist’s contact with the materiality of water, but also her liquid and fluid nature as a woman who breaks with the apparent solidity and static character of the patriarchal social norms of the time. To this end, the study draws on theoretical frameworks related to women’s issues—Gerda Lerner (2019), Simone de Beauvoir (1970), and Pierre Bourdieu (2012)—as well as on the contributions of Gaston Bachelard (2013), particularly regarding the nature of water in literature. The combination of this theoretical framework with excerpts from the novel seems to confirm the interpretive possibility that emphasizes Joana’s transience and fluidity in consonance with water, whether in the form of rain, river, bathing, or the sea.

  • Isadora Zurlo Nogueira
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