Entre mitos e evidências: o uso inadequado de oxigênio no ambiente hospitalar - Atena EditoraAtena Editora

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Entre mitos e evidências: o uso inadequado de oxigênio no ambiente hospitalar

Introdução: A oxigenoterapia é uma das intervenções terapêuticas mais frequentemente utilizadas no ambiente hospitalar, porém sua prática clínica permanece permeada por mitos e conceitos errôneos que se perpetuam. Apesar da crescente evidência de que tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia podem estar associadas a desfechos adversos, práticas inadequadas continuam prevalentes, refletindo lacunas na formação acadêmica, tradições institucionais não questionadas e percepção equivocada do oxigênio como terapia isenta de riscos. Objetivo: Analisar criticamente os principais mitos relacionados à oxigenoterapia hospitalar, fornecendo recomendações baseadas em evidências científicas atuais. Métodos: Estudo de revisão narrativa a partir de dez mitos identificados por profissionais com experiência superior a 10 anos em terapia intensiva e com produção científica em oxigenoterapia. Realizaram-se buscas nas bases PubMed e Cochrane Library, priorizando ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e diretrizes. Resultados: Foram analisados dez mitos prevalentes: oclusão de orifícios da máscara de Venturi, necessidade de gasometria arterial para ajuste de dispositivos de baixo fluxo, uso de oxigênio para reabsorção de coleções gasosas extrapulmonares, hiperóxia para cicatrização de feridas cirúrgicas, obrigatoriedade de umidificação da oxigenoterapia, prescrição de oxigênio para fadiga sem hipoxemia documentada, manutenção de SpO2 a 100%, restrição de oxigênio em DPOC pelo medo do drive hipóxico, uso rotineiro de oxigênio pós-infarto agudo do miocárdio e oxigênio em pacientes em cuidados paliativos e no processo ativo de morte sem hipoxemia. A análise das evidências demonstrou que todas essas práticas carecem de fundamentação científica adequada ou apresentam potenciais riscos que superam benefícios teóricos. Conclusão: A oxigenoterapia hospitalar permanece cercada de práticas não baseadas em evidências que podem comprometer a segurança dos pacientes. A educação continuada dos profissionais de saúde e a implementação de protocolos institucionais fundamentados em evidências são essenciais para otimizar o uso terapêutico do oxigênio e minimizar eventos adversos relacionados à hiperóxia ou ao uso inadequado de dispositivos.
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Entre mitos e evidências: o uso inadequado de oxigênio no ambiente hospitalar

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.820811225251115

  • Palavras-chave: Oxigenoterapia; Medicina Baseada em Evidências; Segurança do Paciente; Hiperóxia; Cuidados Paliativos.

  • Keywords: Oxygen Therapy; Evidence-Based Medicine; Patient Safety; Hyperoxia; Palliative Care.

  • Abstract: Introduction: Oxygen therapy is a frequent intervention in hospital settings, yet its practice remains permeated by perpetuating myths. Despite evidence demonstrating that both hypoxemia and hyperoxia are associated with adverse outcomes, inadequate practices continue to prevail, reflecting educational gaps and misconceptions of oxygen as risk-free therapy. Objective: To critically analyze the main myths related to hospital oxygen therapy, providing evidence-based recommendations. Methods: Narrative review of ten myths identified by professionals with over 15 years of experience in intensive care. Searches were conducted in PubMed and Cochrane Library databases, prioritizing randomized clinical trials, systematic reviews, and guidelines. Results: Ten prevalent myths were analyzed: occlusion of Venturi mask ports, need for arterial blood gas for low-flow device adjustment, oxygen for reabsorption of gas collections, hyperoxia for surgical wound healing, mandatory humidification, oxygen for fatigue without documented hypoxemia, maintaining SpO2 at 100%, oxygen restriction in COPD due to hypoxic drive fear, routine use post-myocardial infarction, and oxygen for palliative care patients in active dying process without hypoxemia. Analysis of the evidence demonstrated that all these practices lack an adequate scientific foundation or present risks that outweigh theoretical benefits. Conclusion: Oxygen therapy remains surrounded by non-evidence-based practices. Continuing education for healthcare professionals and the implementation of evidence-based institutional protocols are essential to optimize the therapeutic use of oxygen and minimize adverse events related to hyperoxia or inadequate device use.

  • Caio Henrique Veloso da Costa
  • Daniel Lago Borges
  • Angelo Roncalli Miranda Rocha
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