ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS EM ESCOLARES COM ENURESE NOTURNA E SUA POSSÍVEL RELAÇÃO - Atena EditoraAtena Editora

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ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS EM ESCOLARES COM ENURESE NOTURNA E SUA POSSÍVEL RELAÇÃO

Introdução: A Enurese Noturna (EN) consiste em um distúrbio comportamental que envolve controle esfincteriano miccional inadequado em relação ao esperado para a idade e desenvolvimento neurológico, acometendo principalmente crianças mais jovens e do sexo masculino. Possui etiologia multifatorial, e suas consequências repercutem não só na autoestima, como também afetam o desenvolvimento sociocognitivo do indivíduo, suas relações familiares e o predispõem a outros distúrbios comportamentais, como o hábito de roer unhas, e distúrbios neuropsiquiátricos, como o transtorno de ansiedade e a depressão. Objetivos: Investigar a presença de alterações comportamentais em escolares com enurese noturna e sua possível relação com transtornos de comportamento. Metodologia: Revisão integrativa da literatura nas bases PubMed e BVS, utilizando os descritores e operador booleano "Nocturnal Enuresis" AND "Child Behavior". Inicialmente, foram identificados 49 artigos na BVS e 11 na PubMed. Excluíram-se artigos fora do tema, com mais de 10 anos, sem texto completo, em idiomas diferentes de português ou inglês, ou como revisão. Foram considerados artigos entre 2015 e 2025, em português ou inglês, com texto completo e não revisões. Após remoção de duplicatas, 15 artigos foram selecionados para análise. Resultados/Discussão: A enurese noturna mostrou-se mais prevalente entre os 8 e 11 anos, principalmente em meninos. Além do desconforto físico, costuma vir acompanhada de mudanças no comportamento e humor: retraimento, ansiedade, tristeza, irritabilidade e queixas físicas sem causa aparente. Nos casos não monossintomáticos, a relação com problemas emocionais e comportamentais é mais evidente. Entre meninos, destaca-se a associação com transtornos oposicionais e de hiperatividade; entre meninas, com transtornos oposicionais e maior risco de desenvolver algum transtorno mental. Quando os episódios são frequentes, os pais relatam mais estresse, redução das atividades sociais e dificuldades nas relações interpessoais, agravando os problemas emocionais. Sobre o desempenho escolar, os estudos divergem: alguns estudos mostram impacto negativo, outros não observam diferença. Ainda assim, os impactos ultrapassam o sintoma em si, atingindo a dinâmica familiar e podendo envolver mecanismos neurológicos comuns a condições como o TDAH, além de práticas educativas punitivas. Destaca-se também o papel das alterações do sono, que parecem contribuir tanto para a persistência da enurese quanto para dificuldades de regulação emocional, reforçando a importância de trabalhar a higiene do sono. Ademais, baixa autoestima, medo de dormir fora de casa e menor participação em atividades sociais indicam que o impacto psicossocial é relevante, embora nem sempre visível no ambiente escolar. Por isso, o cuidado deve ir além do tratamento urológico, incluindo apoio psicológico, orientação aos cuidadores e parceria com a escola, enquanto estudos de longo prazo podem ajudar a compreender melhor seus efeitos na vida das crianças. Conclusões: A enurese noturna infantil é um problema complexo que afeta não apenas a saúde física, mas também o comportamento, o humor e a dinâmica familiar. Uma abordagem eficaz requer uma perspectiva multidisciplinar, envolvendo apoio psicológico, orientação para cuidadores e escolas, além de tratamento urológico. É fundamental que profissionais de saúde, educadores e familiares trabalhem juntos para oferecer suporte adequado às crianças, considerando as implicações emocionais e sociais do problema.
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ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS EM ESCOLARES COM ENURESE NOTURNA E SUA POSSÍVEL RELAÇÃO

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.820811325111212

  • Palavras-chave: enurese noturna; comportamento infantil; transtorno do déficit de atenção e hiperatividade; transtornos de comportamento; qualidade de vida; saúde mental infantil.

  • Keywords: -

  • Abstract: ---

  • Amanda Victoria Lopes Batista
  • Ana Luíza Gaia Folino
  • Andressa Borges da Silva
  • Eugênia Martins Gerolomo
  • Maria Eduarda Cury Fagotti
  • Maria Luíza Reis Funchal
  • Juliana Martins Monteiro
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