A LIBRAS COMO LÍNGUA DE HERANÇA E A PROPOSTA DE RONICE MÜLLER DE QUADROS - Atena EditoraAtena Editora

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A LIBRAS COMO LÍNGUA DE HERANÇA E A PROPOSTA DE RONICE MÜLLER DE QUADROS

Este artigo discute a Libras como língua de herança a partir da proposta de Ronice Müller de Quadros, tomando como eixo a relação entre bilinguismo bimodal, transmissão linguística, identidade e privação de acesso à língua. O estudo parte da constatação de que o conceito de língua de herança foi historicamente formulado com base em línguas orais minoritárias, sobretudo em contextos familiares e migratórios, o que torna necessária sua revisão quando aplicado às línguas de sinais. Com base em pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo e analítico, o trabalho examina aproximações e distanciamentos entre as línguas de herança orais e a experiência da Libras no contexto brasileiro. Os resultados indicam que a Libras compartilha com outras línguas de herança a condição minoritária diante de uma língua dominante, a variabilidade de proficiência e a forte dimensão identitária associada ao pertencimento linguístico. Ao mesmo tempo, apresenta especificidades que tensionam definições tradicionais, especialmente em razão da modalidade visual espacial, da frequente ausência de transmissão intergeracional direta e do papel decisivo da comunidade surda e das instituições no acesso à língua. Conclui se que a Libras pode ser compreendida como língua de herança desde que esse conceito seja tratado de forma ampliada e historicamente sensível, capaz de abarcar trajetórias marcadas por descontinuidade, mediação comunitária e desigualdade linguística. A proposta analisada contribui para ampliar o debate teórico sobre herança linguística e reforça a necessidade de políticas que garantam acesso precoce e pleno à língua de sinais.Este artigo discute a Libras como língua de herança a partir da proposta de Ronice Müller de Quadros, tomando como eixo a relação entre bilinguismo bimodal, transmissão linguística, identidade e privação de acesso à língua. O estudo parte da constatação de que o conceito de língua de herança foi historicamente formulado com base em línguas orais minoritárias, sobretudo em contextos familiares e migratórios, o que torna necessária sua revisão quando aplicado às línguas de sinais. Com base em pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo e analítico, o trabalho examina aproximações e distanciamentos entre as línguas de herança orais e a experiência da Libras no contexto brasileiro. Os resultados indicam que a Libras compartilha com outras línguas de herança a condição minoritária diante de uma língua dominante, a variabilidade de proficiência e a forte dimensão identitária associada ao pertencimento linguístico. Ao mesmo tempo, apresenta especificidades que tensionam definições tradicionais, especialmente em razão da modalidade visual espacial, da frequente ausência de transmissão intergeracional direta e do papel decisivo da comunidade surda e das instituições no acesso à língua. Conclui se que a Libras pode ser compreendida como língua de herança desde que esse conceito seja tratado de forma ampliada e historicamente sensível, capaz de abarcar trajetórias marcadas por descontinuidade, mediação comunitária e desigualdade linguística. A proposta analisada contribui para ampliar o debate teórico sobre herança linguística e reforça a necessidade de políticas que garantam acesso precoce e pleno à língua de sinais.
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A LIBRAS COMO LÍNGUA DE HERANÇA E A PROPOSTA DE RONICE MÜLLER DE QUADROS

  • DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.816X222622051

  • Palavras-chave: Libras, língua de herança, bilinguismo bimodal, privação linguística, sinalizantes de herança.

  • Keywords: Brazilian Sign Language (Libras), heritage language, bimodal bilingualism, language deprivation, heritage signers.

  • Abstract: This article discusses Brazilian Sign Language (Libras) as a heritage language based on the proposal developed by Ronice Müller de Quadros, taking as its central axis the relationship between bimodal bilingualism, language transmission, identity, and deprivation of access to language. The study starts from the observation that the concept of heritage language was historically formulated on the basis of minority oral languages, especially in family and migratory contexts, which makes its revision necessary when applied to sign languages. Based on qualitative and analytical bibliographic research, the paper examines convergences and divergences between oral heritage languages and the experience of Libras in the Brazilian context. The results indicate that Libras shares with other heritage languages its minority status in relation to a dominant language, the variability of proficiency, and the strong identity dimension associated with linguistic belonging. At the same time, it presents specificities that challenge traditional definitions, particularly due to its visual-spatial modality, the frequent absence of direct intergenerational transmission, and the decisive role played by the Deaf community and institutions in providing access to the language. The study concludes that Libras can be understood as a heritage language, provided that this concept is treated in a broader and historically sensitive way, capable of encompassing trajectories marked by discontinuity, community mediation, and linguistic inequality. The proposal analyzed contributes to expanding the theoretical debate on linguistic heritage and reinforces the need for policies that guarantee early and full access to sign language.

  • Carla Figueiredo Cesar
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